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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Paraíba tem 10 médicos mortos e 645 infectados por Covid-19, diz CRM

Levantamento do CRM-PB evidencia a exposição que os profissionais de saúde têm enfrentado. Presidente da entidade lamenta que a população tenha perdido o medo

Geraldo Arnaud morreu nesta quinta-feira e foi o último a entrar nas estatísticas de mortes entre médicos paraibanos - Foto: Assessoria Pollyana Dutra / Divulgação

A Paraíba já registrou 645 casos de médicos infectados e 10 mortos por Covid-19. O levantamento foi realizado pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) e evidencia os riscos que esses profissionais estão enfrentando em meio à pandemia. Os números, a propósito, aumentaram 10% apenas na última semana.


O último médico a entrar na lista de mortes foi o anestesista Geraldo Arnaud de Assis Júnior, morto nesta quinta-feira (6) no Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa. Antes, outros sete médicos e duas médicas já tinham morrido.


Para o presidente do CRM-PB, Roberto Magliano, os números mostram a luta que todos os profissionais de saúde estão enfrentando neste ano. “Grande parte desses médicos tinham mais de 60 anos. Estavam na zona de risco, mas não se abstiveram do compromisso com a profissão”, comentou.


Ele explicou que a situação agora já está um pouco melhor, mas ponderou que em meio à pandemia chegou a faltar equipamentos de proteção pessoal nos hospitais paraibanos, o que agravou ainda mais a situação. Magliano destacou ainda que a maioria dos médicos trabalha nos hospitais públicos com contratos precários, de forma que aqueles que acabaram afastados por causa da doença não foram remunerados no período.


“Nossa profissão mereceria mais atenção. Deveriam receber uma insalubridade máxima por atender pacientes de altíssimo risco. Estimamos que 12% dos profissionais de saúde da Paraíba já adoeceram”, declarou ele. “Os médicos paraibanos agradecem quando as pessoas batem palmas, mas esse reconhecimento poderia vir também na forma de reconhecimento das autoridades e em forma de suporte trabalhista”, completou.

Cardiologista Marco Aurélio Barros de Oliveira morreu em 1º de agosto - Foto: Marco Aurélio Barros

A pandemia hoje

O médico-presidente do CRM-PB pontuou também que o estado já passou pelo pior dos cenários, mas admitiu que ainda teme pelo retorno do aumento de casos. Para ele, a impressão que dá é que os brasileiros de uma forma em geral perderam a fé no isolamento, perderam o medo.


“O que me preocupa é que fizemos um isolamento ineficaz. Durante todo o momento, ele foi pela metade. Não fizemos no Brasil uma política de isolamento forte. Se tivéssemos feito, essa doença já teria acabado aqui. Se todo mundo cumprisse o que foi combinado, e os governos fossem mais rigorosos, talvez a gente não estivesse mais com essa pandemia em nosso meio e com uma taxa de óbitos tão alta”, declarou, destacando que as pessoas estão aguardando por uma vacina que no melhor dos cenários vai demorar ainda mais seis meses para ser descoberta e produzida em larga escala.

 

Os médicos paraibanos mortos vítimas do coronavírus:

  • Maria de Fátima Ávila, 60 anos, morreu em 13 de abril;
  • Solon Pereira Lopes Ferreira, 61 anos, morreu em 6 de maio;
  • Geraldo Antônio Leite, 75 anos, morreu em 9 de maio;
  • Marcos Antonio Barbosa de Paiva, 67 anos, morreu em 15 de maio;
  • Oriel Brilhante Oliveira, 77 anos, morreu em 17 de maio;
  • Orlando Augusto Damascena, 71 anos, morreu em 20 de maio;
  • Ricardo Pereira Passos, 43 anos, morreu em 14 de junho;
  • Ana Lúcia Freire Cantalice, pediatra, morreu em 23 de julho;
  • Marco Aurélio Barros, cardiologista, morreu em 1º de agosto;
  • Gerado Arnaud, anestesiologista, morreu em 6 de agosto.

G1 PB

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