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sábado, 13 de junho de 2020

Parentes de paciente vítima de covid-19 invadem e danificam hospital

Segundo os funcionários, o grupo era formado por parentes de uma paciente de 56 anos

O hospital municipal Ronaldo Gazolla é referência para pacientes com covid-19 - Imagem: Reprodução/Google Maps

Um grupo de cinco pessoas invadiu o hospital municipal Ronaldo Gazolla - referência para pacientes com covid-19, na zona norte do Rio, para questionar a morte de uma parente que deu entrada na unidade nesta semana e faleceu hoje em decorrência do coronavírus.


Segundo os funcionários, o grupo era formado por parentes de uma paciente de 56 anos. Houve tumulto, os familiares acessaram o quinto andar do hospital - área restrita aos pacientes e funcionários e danificaram computadores e portas da unidade.


O presidente do Sindicato dos Médicos, Alexandre Telles, que trabalha na unidade, contou que o grupo foi contido com ajuda da Guarda Municipal. "Eles estavam inconformados com o falecimento de um familiar, não aceitavam a morte, eles questionavam o fato de a paciente estar bem ontem e hoje ter morrido. Eles entraram gritando, ameaçando os funcionários verbalmente, derrubaram computadores no chão. Trouxeram muito estresse para o hospital e se colocaram em risco, inclusive. Esse fato mostra como os profissionais de saúde ficam expostos e sem segurança nos hospitais do Rio".


Uma outra funcionária da unidade, enfermeira, conta que alguns profissionais se esconderam com medo.


"Tiveram colegas que se trancaram em banheiros, pois não sabiam o que estava acontecendo. Foi tudo muito rápido. Muita correria e gritaria. O grupo entrou bem alterado, revoltados com a morte dessa senhora. Eles invadiram as alas A e B do hospital, quebraram computador e danificaram outros objetos. Foram bem agressivos", disse uma funcionária da unidade que pediu para não ser identificada.


"Eles batiam nas portas e gritavam. Ninguém poderia estar ali. Foi uma situação de muito risco, inclusive, para eles próprios. Trouxe medo para quem estava no hospital", contou outra funcionária.


O caso ocorreu por volta de meio-dia. O grupo circulou livremente pelo hospital sem que ninguém o impedisse até a chegada da Guarda Municipal. Os familiares conseguiram acessar o quinto andar do hospital, onde fica a clínica média que faz os atendimentos de menor risco.


Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde explicou que os familiares ficaram desesperados ao receberem a notícia da morte de uma parente internada no local e ficaram alteradas. De acordo com a pasta, uma placa de sinalização foi quebrada e uma porta danificada. A SMS enfatizou que vigilantes, guardas municipais de uma viatura que fica baseada no hospital e integrantes da equipe assistencial ajudaram a contornar a situação.


Uma das pessoas da família, uma mulher, precisou ser medicada no local para se acalmar.


Marcela Lemos - Colaboração para o UOL, no Rio

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