Jovem com 10% da visão está perto de conseguir lutar taekwondo na Olimpíada de Tóquio - Conecta Paraíba

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domingo, 1 de dezembro de 2019

Jovem com 10% da visão está perto de conseguir lutar taekwondo na Olimpíada de Tóquio

A limitação de Ícaro não o impediu de aprender o esporte. O atleta se dedicou tanto nos treinos que agora está perto de conseguir uma vaga na competição
Ícaro Miguel se recusa a fazer transplante de córnea por sonho olímpico (Reprodução/Jornal Nacional)
Ícaro Miguel perdeu noventa por cento da visão do olho direito quando era criança. Mas essa limitação não o impediu de aprender taekwondo. E o Ícaro se dedicou tanto nos treinos que, hoje, está perto de conseguir uma vaga na Olimpíada de Tóquio.

Ícaro sempre soube o que queria. “Eu me vejo desde os 10 anos de idade com a medalha olímpica no peito”.

Atleta do taekwondo, hoje ele é o 8º do ranking olímpico. Já foi vice-campeão mundial em 2019. E tudo isso vendo apenas vultos no lado direito.

“Foi um acidente doméstico, uma queimadura química. Eu tinha 6 anos de idade. Minha mãe foi pingar água boricada, acabou confundindo os frascos e pingou um pouco de amônia, e aí queimou córnea, retina, nervo óptico. A minha mãe até recentemente ela comentou comigo que se sentia um pouco culpada sim, mas eu sempre dava muita força pra ela nesse sentido”, conta o atleta.

Foi preciso reaprender noções de tempo e espaço. Ainda mais para seguir num esporte de contato.

“Eu tampava um pouco do olho bom e ficava chutando só com o olho ruim. Não sabia se isso faria sentido pra ciência, mas eu precisava fazer alguma coisa. Eu sempre encaro a minha deficiência não como uma deficiência física. Eu encaro como uma deficiência técnica”, conta.

Tudo clareou quando apareceu Raiany. Também atleta, a namorada virou uma treinadora especial.

“A gente fazia o nosso treino da manhã, nosso treino da tarde e, nos horários livres, que seria à noite, a gente ficava mais uma hora treinando”, conta Raiany Fidelis.

Repórter: Agora, Ícaro, uma pergunta que eu imagino que você ouça bastante. Por que não fazer o transplante de córnea e resolver de vez o problema?

Ícaro Miguel, atleta: Hoje eu tenho só uma possibilidade. Caso eu faça o transplante, eu tenho que encerrar minha carreira. A córnea fica um pouco sensível e caso eu tome um chute no rosto pode acabar perdendo o transplante e a cirurgia. Então era uma decisão: ou o transplante e recuperar a visão ou continuar atrás do sonho.

Chegar às Olimpíadas de Tóquio. O sonho impossível que hoje está ao alcance do Ícaro.

“Eu tenho pregadinho do lado da minha cama uma frase que é ‘eu nasci pra fazer história’. Se eu vou conseguir ou não, eu não sei. Mas é o porquê eu levanto todos os dias. Pra fazer história”, afirma.

Jornal Nacional

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