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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

‘A Vida Invisível’ chega aos cinemas da PB

Obra traz um olhar sensível para a história de duas irmãs apartadas, porém unidas por um destino injusto
'A Vida Invisível' é uma das estreias da semana (Foto: Divulgação)
Os apagamentos e invisibilidades presentes no enredo de ‘A Vida Invisível’ são reflexos de uma sociedade que, historicamente relega as mulheres ao papel de uma coadjuvância que beira a nulidade. A condução do diretor cearense Karim Aïnouz à obra traz um olhar sensível para a história de duas irmãs apartadas, porém unidas por um destino injusto.

O filme que pleiteia uma vaga entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional chega finalmente hoje aos cinemas de todo o Brasil, após um adiamento (a data original de estreia era 31 de outubro) e diversas pré-estreias.

As irmãs são Guida e Eurídice, apresentadas logo no início como inseparáveis, com forte vínculo emocional. O que vemos a partir daí é a vida as desconectando – sob forte influência do machismo estrutural da sociedade brasileira da década de 1950. Carol Duarte e Julia Stockler dão vida à personagens com vivacidade apaixonante.

De acordo com o diretor Karim Aïnouz, essa sinergia que emana da tela, mesmo que as personagens não contracenem nem mesmo durante 10% do filme, se dá pela preparação prévia. “Além de serem atrizes jovens, dispostas a se arriscar e criar algo novo, tivemos um período de ensaios de dois meses, convivendo diariamente. Ensaiamos cenas que não estão no roteiro, mas que ajudaram elas a habitarem aquelas personagens”, conta, em entrevista por telefone, via WhatsApp, direto de Londres.

Baseado em A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, livro da escritora Martha Batalha, o enredo revela momentos de dificuldade e brutalidade aos quais as mulheres eram submetidas naquela época, seja no contexto afetivo, seja no cotidiano, em que as coisas que hoje parecem comuns eram parte de uma realidade aparentemente impossível para elas.

Ao se deparar com o projeto, Karim afirma que não foi exatamente surpreendente ver as situações explanadas no livro. “Eu cresci em um seio familiar dominado por mulheres. Não fiquei surpreso ao ler passagens como a lua de mel – que, de mel, não tem nada –, pois são histórias que ouvia ao perceber uma relação sempre dolorosa com o masculino das mulheres da minha casa, mas fiquei feliz ao ver uma obra publicada que conseguia traduzir em palavras essas sensações todas”, enfatiza o diretor.

Enquanto Guida é escorraçada pelo pai conservador ao voltar da Europa grávida de seu ex-marido grego, Eurídice aparentemente vive uma vida ideal, casada, com filhos, boas condições. No entanto, tudo isso sufoca seu desejo de ser pianista, uma carreira impensável para uma “mãe de família”. O compadrio dos homens ao seu redor poda sua potência, assim como poda a conexão com aquela figura que poderia lhe restabelecer força, sua irmã, em uma relação fantasma e unilateral, construída por cartas nunca entregues ao seu destino final.

A Vida Invisível é embalada pela bela fotografia de Hélène Louvart (Lazzaro Felice), com exuberância de cores, mas que também deixa espaço para que a penumbra faça espécie de rima com algumas das passagens mais tensas do enredo. A decisão por essa vida e cores na fotografia é deliberada. “As pessoas tendem a ver as memórias de pessoas idosas como se fosse um filme em preto e branco. É como se elas não tivessem transado, não tivessem cheirado lança-perfume, não tivessem vivido. Eu sempre via a história de Guida e Eurídice como algo muito vivo e queria traduzir esse sentimento para a imagem”, explica Karim Aïnouz.

A campanha para o Oscar já começou e o filme já recebeu elogios de pessoas da indústria do cinema. No entanto, para o diretor, o mais importante é alcançar o público. “Há algo de universal e de contemporâneo nas histórias dessas duas mulheres. Os prêmios, se vieram, são apenas belas consequências”, completa.

Portal Correio

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