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domingo, 16 de junho de 2019

Mulher pega mesmo ônibus que o pai desconhecido, desconfia e comprova paternidade com exame

O Tribunal de Justiça do Ceará julga 10.595 processos de reconhecimento de paternidade em quatro anos. Somente em Fortaleza, um total de 961 ações judiciais estiveram na pauta das Varas de Família no ano passado
Joana D’arc desconfiou que Francisco Nazaré Galvão poderia ser seu pai ao ler um envelope com o nome dele. (Foto: Divulgação/ Defensoria Pública do Estado)
A manicure Joana D’arc da Silva Bezerra pegou um ônibus para o trabalho, em julho de 2017 em Fortaleza, e dentro do coletivo viu um homem segurando um envelope cujo nome era Francisco Nazaré Galvão, mesma identificação que sua mãe mencionava como sendo a do seu pai.

Somente no ano seguinte, eles procuraram a Defensoria Pública em busca do teste de paternidade. Em setembro de 2018, dois meses após a solicitação, a confirmação já esperada: seu Galvão era, de fato, seu pai biológico. “Essa rapidez do resultado e esse encontro inesperado mudaram a minha vida. Procuramos um cartório e agora meu nome completo é Joana D’arc da Silva Bezerra Galvão, com muito orgulho”, lembra.

Outro exemplo de reconhecimento de paternidade foi o do filho de Grasiela Gomes. Viver a emoção do nascimento de uma criança é uma experiência transformadora para a família. Ou pelo menos deveria ser. A chegada do primeiro filho tornou Grasiela Gomes, 37, mais forte, sobretudo quando tentou registrá-lo sem o consentimento do pai, que não reconhecia o parentesco.

Foi uma saga judicial de mais de dois anos, desde a solicitação do exame de DNA ao resultado do teste. Assim como a administradora de empresas, outros 10.595 processos também estiveram no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) para investigação de paternidade entre 2015 e o ano passado.

Conforme a supervisora das Equipes Psicossociais da Defensoria Pública, Andreya Arruda Amêndola, os exames de DNA pedidos ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), demoravam cerca de dois anos, desde a solicitação à entrega do resultado.

“Mas, depois que o Lacen licitou o laboratório, deu uma melhorada. Se você fosse lá em 2015, eles demoravam para você marcar, porque era, tipo assim, um ano. Você vai fazer o seu exame em junho de 2020 e você recebia o resultado em junho de 2021”, frisa a psicóloga. Ainda segundo ela, a situação já está normalizada. “Hoje, eu posso te dizer que não temos tido a dificuldade. Eu chego e digo assim, nós estamos precisando de tantas vagas de DNA e eles me dão”.

Laços
Já nos casos em que não há um acordo entre as partes para o registro de um terceiro, é necessário procurar a Justiça. Em Fortaleza, 961 pedidos de reconhecimentos de paternidade foram julgados em 2018. Para Grasiela Gomes, que viu o sobrenome do pai de seu filho somente após decisão judicial, a criança precisa muito mais do que ajuda financeira. “Queria que ele chegasse junto do filho e convivesse com ele”, pondera.

Segundo a psicóloga infantil, Felícia dos Santos, a criança precisa ter referências afetivas primárias, inicialmente representadas nas figuras materna e paterna. “Conhecer o pai é uma ativação da rede de apoio de uma criança, garante a ela uma identificação em padrões de personalidade e a sensação de segurança e de acolhimento”, explica, destacando também que esse apoio repercute na saúde emocional e no desenvolvimento da criança.

G1 CE

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